Para mudar a conjuntura é necessário ir para Além dos Muros!
Em meio ao descenso do movimento de massa e a perca de referencial organizativo para os trabalhadores e a juventude, com a crise do ciclo PT, surge em vários estados e em todos os segmentos organizativos (estudantil, sindical e popular) movimentos, coletivos e organizações que não se organizam nos atuais partidos de esquerda pelo fato de não verem nestes partidos o referencial da classe e observar que os mesmos possuem os vícios do ciclo anterior. Esses coletivos passaram a cumprir um papel de partido junto a sua base e na luta concreta no estado, cidade e região. Esse fenômeno no movimento estudantil é muito claro. Temos a atuação no Piauí do coletivo CORDEL organizando a esquerda do movimento estudantil na UFPI e na UESPI. No Ceará temos a atuação do coletivo “Transformar o tédio em Melodia” que esta na direção majoritária do DCE-UECE, sendo protagonista no movimento estudantil e popular combativo do Ceará. Em Mato-Grosso em meio às lutas em defesa do passe-livre surge o MRS (Movimento Rumo ao Socialismo) organizando-se em núcleos nas escolas, universidades, bairros e sindicatos, cumprindo um papel organizativo na luta de classes no estado. Esses coletivos têm em comum, além de não se referenciar nos atuais partidos de esquerda, compactuarem de uma concepção de movimento estudantil como movimento social, não só se restringindo as pautas da universidade e escolas, mas construindo e organizando a juventude para Além dos muros da universidade, pois é lá que estão os agentes populares que podem fazer com que a conjuntura da disputa da universidade e da sociedade mude em favor dos trabalhadores.
Baseado nessa análise em comum desses coletivos e movimentos é que surge o projeto “Além dos Muros”. Projeto que envolve a construção coletiva de campo político nacional para organizar a juventude e o movimento estudantil. Construir um movimento estudantil organizado na base, pelo local de estudo que pense tática e estratégia, que dispute e construa uma plataforma política para os C.A’S, DCE’S, grêmios estudantis, executivas e federações de curso, e uma tática consciente para a única entidade de massas dos estudantes, a Une. Além dessa tarefa de movimento estudantil, o projeto além dos Muros, envolve a construção de um movimento estudantil, com uma visão de classe, fenômeno não muito presente no movimento estudantil dos últimos tempos, que por ser concretamente poli-classista, sempre teve os vícios da pequena burguesia. Um movimento estudantil que organize também a juventude periférica da cidade que não tem acesso à universidade e que construa com os movimentos sociais do campo, espaços de formação, lutas comuns e que traga esses movimentos para ocupar os espaços das universidades e colégios, e nisso os coletivos e movimentos em cada estado de maneira concreta estão fazendo, participando ativamente da organização do coletivo da juventude do campo e da cidade, e juntamente com a Via campesina e o MST, construiu um encontro nacional em 2008 em Niterói, participando também na construção de EIV`S (Estágios Interdisciplinares de Vivência) valorizando a mística para de fato construir um nova cultura para o movimento estudantil. Também juntamente com os movimentos e as pastorais sociais, construir a Assembléia Popular e suas campanhas. Nenhum campo nacional do movimento estudantil cumpre hoje esse papel casando a tática de disputar a hegemonia na universidade, lutando contra os ataques concretos do governo Lula e do capital, como a contra-reforma universitária, o decreto REUNI, as fundações estatais de direito privado, articulando essas lutas com as lutas dos movimentos sociais, e ainda disputando a base da UNE. É claro que esse projeto não esta deslocado da conjuntura nacional. Ele esta interligado como uma análise de que é necessário um instrumento da classe trabalhadora, um partido, para cumprir esse papel estratégico de organização, movimento estudantil, sindical e popular, mas não baseando exclusivamente sua atuação na disputa eleitoral. Que seja um partido revolucionário, construído pelas bases como foi na origem do PT. No movimento sindical vemos a construção da INTERSINDICAL, que vem tendo papel protagonista na organização do operariado do setor produtivo. No campo vemos a cada dia o MST enfrentando o latifúndio e as multinacionais, e no movimento estudantil várias lutas vem se desenvolvendo por todo país, contra o aumento da tarifa do transporte, pelo passe-livre irrestrito, por mais verbas para educação, contra os ataques do governo lula, ou seja, precisamos ter no movimento estudantil um instrumento que possa estar cumprindo o papel de organizar as lutas com uma visão estratégica, que acelere ainda mais o processo de reorganização do campo popular, para enfrentar o capital, sair dessa defensiva e passar para ofensiva da classe, para construção de uma sociedade sem explorados e exploradores, sem opressões do homem pelo homem, uma sociedade socialista.
Este é o projeto Além dos Muros. Fazemos um chamado a todos os coletivos, estudantes independentes, jovens trabalhadores de todos os rincões do Brasil a fazerem parte conosco da construção do campo Além dos Muros.
“Romper as barreiras da burocracia,
para construir um novo movimento estudantil”